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Terapia Familiar

NAMORIDOS



Elenice Alves Gomes*

A palavra NAMORIDO é um neologismo, criada a partir da conjunção de dois substantivos: NAMORADO + MARIDO.


Conceitualmente, podemos definir como uma relação não formalizada, mas estável entre um homem e uma mulher ou entre dois homens, no caso de relações homoafetivas.

As relações conjugais e familiares têm se transformado muito, especialmente no século XXI. Até 1977, quando foi sancionada a lei do divórcio, as relações de casais eram muito claras, os regimes de comunhão de bens eram universais. Depois disso, e com o histórico de reposicionamento da mulher na sociedade, que vem desde a revolução industrial até à revolução feminista, as formas de relacionamento passaram por muitas mudanças, gerando novas configurações.

Como consequência dessas transformações todas é que surge o termo namorido, mas que na prática, não engloba todos os tipos de relação. Esse termo não serve para designar relações homoafetivas entre mulheres. Isto mostra que ainda há resquícios da cultura de uma sociedade patriarcal, onde o homem era a cabeça da família. Podemos dizer que é um ranço da cultura que muda muito lentamente, embora as transformações dos relacionamentos sejam muito grandes e feitas de forma rápida.

Até o século XX, existiam termos considerados pejorativos, como amasiados, amancebados e até amigados.

Esperamos que a evolução continue até que se encontre um correspondente feminino para designar esta forma de se relacionar na era pósmoderna. Poderia ser, por exemplo: NAMULHER ou NAMESPOSA?...

A palavra namorido pode servir tanto para substituir o que formalmente se chama de relação estável, quanto pode ser uma transição para novas modalidades de casamento, como o casamento em casas separadas, ou ainda pode ser uma transição de uma fase onde o casal já vive uma vida sexual, mas ainda nem sequer mora junto, porém está caminhando para uma relação mais estável, de casamento formalizado ou até de coabitação. Quando as pessoas já viveram relações maritais e encontram novos parceiros, elas também costumam se chamar de namoridos. Enfim, essa palavra pode ter várias facetas de significados e é uma maneira divertida e contemporânea de substituir a terminologia formal ou cartorial da união entre duas pessoas.

O censo do IBGE de 2010 já mostrou que a família tradicional, composta por pai, mãe e filhos morando na mesma casa já é minoria no Brasil. Hoje, a estrutura familiar brasileira é plural e as pessoas têm assimilado muito bem essas mudanças.

No âmbito da terapia familiar e de casal, estrutura-se a família quando as crianças e os adolescentes são bem orientados para uma vida adulta, com consciência de suas responsabilidades e onde circula o afeto. A questão biológica não é mais relevante ou preponderante. O que importa é o afeto, o cuidado, o amor dentro das famílias.

Desta forma, os namoridos não alteram a estrutura, mudam apenas a configuração. O importante é que cada um tenha suas responsabilidades muito claras, independente da opção conjugal que se faça!

*Texto baseado em entrevista concedida à Revista Revide nº 23, ano 27, de 7 de junho de 2013, p. 32 em “Palavra de Especialista”.



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